Por que fazer a transição para o campo

Ong Rizomar e Universo da Floresta lançam o minidoc “Transição” que mostra um cenário de aceleração de crises e aponta a transição rural como uma possibilidade de bem viver

Quem está pensando em fazer a transição da cidade para o campo precisa assistir o minidoc Transição, lançado pela ONG Rizomar em parceria com a plataforma de cursos Universo da Floresta. Nos últimos anos, estamos vivendo uma convergência de crises: ambientais, sanitárias, econômicas, energéticas, políticas, sociais. Diante de um cenário de rupturas (que muitos ainda fingem não enxergar), um novo movimento tem crescido: o dos novos rurais, nome dado às pessoas que estão fazendo a migração para o campo.
O vídeo, dirigido e roteirizado pelo cineasta Victor Mal e o geógrafo urbanista francês Jérôme Sensier, apresenta 4 questionamentos que todos deveríamos fazer nos dias atuais.

1 – O que está acontecendo
“A sexta extinção em massa do nosso planeta já começou”, afirmam Mal e Sensier no vídeo, seguindo conclusões que cientistas já atestaram. E, desta vez, a causa é o crescimento exponencial das atividades humanas, como a urbanização desenfreada, a mineração, o desmatamento e o avanço desenfreado das monoculturas. Tudo isso está causando uma perda da biodiversidade do planeta. Para se ter uma ideia, de todos os mamíferos na Terra, 96% são para criação e os próprios humanos. Apenas 4% são animais selvagens.
Estamos seguindo os piores cenários traçados pelos cientistas. O que isso significa? Não é apenas o aquecimento global, o que por si só seria trágico, mas sim uma bola de neve de catástrofes naturais, com o aumento de situações extremas, como ciclones, secas mais fortes, enchentes mais intensas, variações maiores nos ciclos da chuva.
A Organização para as Nações Unidas para Alimentação e Agricultura já prevê uma queda acentuada da produtividade agrícola em vários lugares do mundo. Há riscos de falta de comida já para 2021, assim como o aumento do número de refugiados em países em conflito.
Mais de 85% de toda a nossa energia vem de fontes fósseis, como gás, petróleo, carvão mineral. Está previsto que vamos viver uma grande contração energética na escala mundial, pois a extração está cada vez mais custoso extrair os recursos naturais, que são finitos. A sociedade globalizada está se aproximando de pontos de ruptura.  
“O colapso não é um evento brutal. Mas um processo que já estamos vivendo. Que vai afetar cada um de nós, em fases e intensidades diferentes”, afirma Sensier, que mora no Brasil há quatro anos.

2 – Qual é o meu  propósito?
Dentro do contexto que estamos vivendo, surge uma pergunta: qual o seu propósito do seu trabalho? Qual a sua contribuição para a sociedade? Você faz parte do problema ou da solução? Nossas atividades estão de acordo com nossos valores pessoais? Quanto tempo gastamos para ir ao trabalho? O que fazemos com nosso tempo de vida? Quais relações estamos construindo? Quanto tempo passamos na frente das telas de celular?

3 – Onde estou vivendo?
Depois de entender a situação que estamos inseridos, perceber que talvez o trabalho não faça mais sentido, surge outra pergunta: onde estou vivendo? Trancado em apartamentos nas grandes metrópoles? Como foi construída a casa onde você mora? Quem construiu e com quais materiais? Você conhece seus vizinhos? Quantas árvores você vê por dia? Quantos pores de sol você assiste? E sua comida vem de onde? A energia elétrica que você consome vem de onde? Onde vão seus lixos? E seus dejetos?
Não temos a menor ideia e controle sobre essas coisas essenciais.

4 – O que tenho a perder?
Como você se vê daqui a cinco anos. E daqui a 10 anos? E o que você se vê fazendo com o resto da sua vida? Que paisagem você quer ver quando acordar? Aonde você quer estar? E com quem?
Não há respostas certas e prontas para todas estas perguntas.
Mas surge uma necessidade de reavaliar as trajetórias nas quais estamos inseridos. E se você pudesse escolher? Se pudesse ter o controle de onde vem sua comida e sua água? E se você tivesse um trabalho que te traga autorrealização? Que tal viver com segurança. Desenvolver novas habilidades manuais. Parar de ser apenas consumidor e se tornar um produtor de fato. Que tal ter relações verdadeiras com sua vizinhança. Preparar uma resiliência que seja coletiva, antecipando as crises globais que teremos que lidar. Estar em uma ambiente saudável para seu corpo e sua mente. Criar mais conexões e intimidade com a Natureza.  E se você parasse de sobreviver para começar o bem viver. Comece a planejar sua transição para este novo paradigma. É o melhor jeito de sair da inércia generalizada, da zona de conforto. E aceitar e compreender o nosso novo papel de vida na Terra.

Sobre a Rizomar
A Rizomar é uma ONG que pretende fomentar a capacidade de resilência local em biorregiões brasileiras definidas como refúgio. Desenvolve ferramentas para quem quer fazer a transição para o campo.

Victor Mal
Brasileiro, cineasta de formação pela UFPel e em Entretenimento para Educação pela Saxion University of Applied Sciences na Holanda. Trabalha com organizações da sociedade civil desde 2011. Desde 2017 viaja o Brasil através dos projetos EcoTEAR e Corra Para o Verde, buscando alternativas sistêmicas e estratégias para o Bem-Viver.

Jérôme Sensier
Francês, geógrafo-urbanista de formação, mora no Brasil há 5 anos. Viajou pelo país na busca de iniciativas inspiradoras, como sítios permaculturais, ecovilas, assentamentos da reforma agrária ou comunidades tradicionais. 

Sobre Universo da Floresta
É uma plataforma de cursos para pessoas que buscam uma vida mais simples, conectada à Natureza. Tem a missão de auxiliar quem está fazendo a transição para a vida no campo. Para isso, oferece cursos nas áreas de permacultura, agrofloresta, bioconstrução, fitoterapia e cultura popular.